segunda-feira, 21 de dezembro de 2009
Creep Radiohead
I wanna have control
I wanna a perfect body
I wanna a perfect soul
I want you to notice
When I'm not around
You're so very special
I wish I was special
But I'm a creep
I'm a weirdo
What the hell am I doing here?
I don't belong here.
domingo, 20 de dezembro de 2009
Radiohead
Two jumps in a week
I bet you think that's pretty clever don't you boy?
Flying on your motorcycle,
Watching all the ground beneath you drop
You'd kill yourself for recognition,
Kill yourself to never ever stop
You broke another mirror,
You're turning into something you are not
Don't leave me high, don't leave me dry
Don't leave me high, don't leave me dry
Drying up in conversation,
You will be the one who cannot talk
All your insides fall to pieces,
You just sit there wishing you could still make love
They're the ones who'll hate you
When you think you've got the world all sussed out
They're the ones who'll spit at you,
You will be the one screaming out
Don't leave me high, don't leave me dry
Don't leave me high, don't leave me dry
It's the best thing that you ever had,
The best thing that you ever, ever had
It's the best thing that you ever had,
The best thing you ever had has gone away
A casinha do Jardim botânico
No Horto as ruas são mais urbanas e as casinhas são quase todas germinadas, com aqueles janelões antigos... um charme só, lembram um pouco o bairro Notting Hill de Londres, mas ainda falta muita reforma para ser comparável, pois muitos moradores são herdeiros dos primeiros proprietários e não tem condição de manter as casas em forma.
Em uma das ruazinhas, esta já no meio do bairro e mais arborizada, tem uma casinha linda, muito antiga, pequenina, aproximadamente uns 200 metros de terreno, mas todos os seus detalhes são extremamente ricos e cheios de personalidade, só ela ali, pequenina no meio de um monte de casarões elegantes.
Ela estava até a pouco tempo abandonada, mas ainda assim eu conseguia ver beleza nela, acabadinha mesmo, vidros quebrados, janelas enferrujadas, madeiras corroidas, mas nada disso, nem o tempo, nem o descuido conseguiu apagar sua personalidade.
Desde que a vi pela primeira vez foi amor a primeira vista, senti um desejo profundo de tê-la, reformá-la e trazê-la de volta a vida.
Essa, na verdade, é uma fantasia antiga. Sempre adorei a ideia de comprar uma dessas casinhas antiguíssimas que um dia já foram lindas, cheias de história, mas que por alguma razão foram esquecidas, perderam seu charme, mas mantiveram sua personalidade, sua alma, sua riqueza de detalhes... por essa razão sempre tive uma pontinha de inveja dos engenheiros civis e arquitetos, pois eu queria eu mesma, poder recriar uma casinha dessas, como se esse restaurar fosse me permitir entrar na alma dela, me integrar a sua personalidade construída em um outro tempo e fundir ali a minha história também tão particular.
Me disseram que Freud explica isso, que isso provavelmente explica a minha forma de sentir a vida. Provavelmente.
Pode ser que eu me sinta essa casinha, fora de contexto, perdida nesse mundo atual que não compreendo, com uma alma de outro tempo do qual já nem me lembro, cheia de personalidade, cheia de potencialidades, porém carente de uma reforma que me desperte.
Dessa vez passar por lá foi diferente, a casinha foi comprada por alguém, tinha uma placa de um arquiteto na frente, alguém também se despertou para a mesma beleza que eu vi além daquelas ruinas, alguém encontrou razão para investir ali seus recursos, porque acreditou na beleza escondida pelo abandono.
Desejei que tenha sido realmente alguém também sensível, que não vá transformá-la em algo comercial, que não vá fazê-la perder sua alma, que não vá sufocá-la para transformá-la em algo que ela não é e nunca foi, desejei que seja alguém que queira um dia fazer parte dela e queira incorporar na sua antiga história uma história nova, cheia de personalidade, cheia de vida e sabedoria adquirida nos tempos de abandono.
Se for assim, ainda passarei por lá muitas vezes, e todas as vezes meu coração se encherá de uma esperança inexplicável e eu vou ficar feliz e vou pensar: que sorte teve essa casinha...
sábado, 19 de dezembro de 2009
Perfume de mulher
"some people live a lifetime in a minute."
sexta-feira, 18 de dezembro de 2009
Desejo (Victor Hugo)
E que amando, também seja amado.
E que se não for, seja breve em esquecer.
E que esquecendo, não guarde mágoa.
Desejo, pois, que não seja assim,
Mas se for, saiba ser sem desesperar.
Desejo também que tenha amigos,
Que mesmo maus e inconseqüentes,
Sejam corajosos e fiéis,
E que pelo menos num deles
Você possa confiar sem duvidar.
E porque a vida é assim,
Desejo ainda que você tenha inimigos.
Nem muitos, nem poucos,
Mas na medida exata para que, algumas vezes,
Você se interpele a respeito
De suas próprias certezas.
E que entre eles, haja pelo menos um que seja justo,
Para que você não se sinta demasiado seguro.
Desejo depois que você seja útil,
Mas não insubstituível.
E que nos maus momentos,
Quando não restar mais nada,
Essa utilidade seja suficiente para manter você de pé.
Desejo ainda que você seja tolerante,
Não com os que erram pouco, porque isso é fácil,
Mas com os que erram muito e irremediavelmente,
E que fazendo bom uso dessa tolerância,
Você sirva de exemplo aos outros.
Desejo que você, sendo jovem,
Não amadureça depressa demais,
E que sendo maduro, não insista em rejuvenescer
E que sendo velho, não se dedique ao desespero.
Porque cada idade tem o seu prazer e a sua dor e
É preciso deixar que eles escorram por entre nós.
Desejo por sinal que você seja triste,
Não o ano todo, mas apenas um dia.
Mas que nesse dia descubra
Que o riso diário é bom,
O riso habitual é insosso e o riso constante é insano.
Desejo que você descubra,
Com o máximo de urgência,
Acima e a respeito de tudo, que existem oprimidos,
Injustiçados e infelizes, e que estão à sua volta.
Desejo ainda que você afague um gato,
Alimente um cuco e ouça o joão-de-barro
Erguer triunfante o seu canto matinal
Porque, assim, você se sentirá bem por nada.
Desejo também que você plante uma semente,
Por mais minúscula que seja,
E acompanhe o seu crescimento,
Para que você saiba de quantas
Muitas vidas é feita uma árvore.
Desejo, outrossim, que você tenha dinheiro,
Porque é preciso ser prático.
E que pelo menos uma vez por ano
Coloque um pouco dele
Na sua frente e diga "Isso é meu",
Só para que fique bem claro quem é o dono de quem.
Desejo também que nenhum de seus afetos morra,
Por ele e por você,
Mas que se morrer, você possa chorar
Sem se lamentar e sofrer sem se culpar.
Desejo por fim que você sendo homem,
Tenha uma boa mulher,
E que sendo mulher,
Tenha um bom homem
E que se amem hoje, amanhã e nos dias seguintes,
E quando estiverem exaustos e sorridentes,
Ainda haja amor para recomeçar.
E se tudo isso acontecer,
Não tenho mais nada a te desejar ".
terça-feira, 15 de dezembro de 2009
Viene despacio
entra
tropieza con mi tos
con mi costumbre de dejar la nuca
en cualquier parte
viene despacio
ordena mis silencios
desata las palabras necesarias
recibe la correspondencia de mis ojos
viene despacio
a tender sus manteles de ternura
viene despacio
apenas hecha humo para no despertarme
se abre paso entre vasos arrojados al día
retratos de mujeres
noches de bronca y noches de ginebra
viene despacio
con su enchape celeste subiéndose a mis mástiles
viene despacio
entra
se arrodilla al borde de mi alma
y junta los fragmentos de mi risa
después... se vuela azul como la tarde.
Llénate de mí - Pablo Neruda
Ansíame, agótame, viérteme, sacrifícame.
Pídeme. Recógeme, contiéneme, ocúltame.
Quiero ser de alguien, quiero ser tuyo, es tu hora,
Soy el que pasó saltando sobre las cosas,
el fugante, el doliente.
Pero siento tu hora,
la hora de que mi vida gotee sobre tu alma,
la hora de las ternuras que no derramé nunca,
la hora de los silencios que no tienen palabras,
tu hora, alba de sangre que me nutrió de angustias,
tu hora, medianoche que me fue solitaria.
Libértame de mí. Quiero salir de mi alma.
Yo soy esto que gime, esto que arde, esto que sufre.
Yo soy esto que ataca, esto que aúlla, esto que canta.
No, no quiero ser esto.
Ayúdame a romper estas puertas inmensas.
Con tus hombros de seda desentierra estas anclas.
Así crucificaron mi dolor una tarde.
Quiero no tener límites y alzarme hacia aquel astro.
Mi corazón no debe callar hoy o mañana.
Debe participar de lo que toca,
debe ser de metales, de raíces, de alas.
No puedo ser la piedra que se alza y que no vuelve,
no puedo ser la sombra que se deshace y pasa.
No, no puede ser, no puede ser, no puede ser.
Entonces gritaría, lloraría, gemiría.
No puede ser, no puede ser.
Quién iba a romper esta vibración de mis alas?
Quién iba a exterminarme? Qué designio, qué? palabra?
No puede ser, no puede ser, no puede ser.
Libértame de mí. Quiero salir de mi alma.
Porque tú eres mi ruta. Te forjé en lucha viva.
De mi pelea oscura contra mí mismo, fuiste.
Tienes de mí ese sello de avidéz no saciada.
Desde que yo los miro tus ojos son más tristes.
Vamos juntos. Rompamos este camino juntos.
Ser? la ruta tuya. Pasa. Déjame irme.
Ansíame, agótame, viérteme, sacrificarme.
Haz tambalear los cercos de mis últimos límites.
Y que yo pueda, al fin, correr en fuga loca,
inundando las tierras como un río terrible,
desatando estos nudos, ah Dios mío, estos nudos,
destrozando,
quemando,
arrasando
como una lava loca lo que existe,
correr fuera de mi mismo, perdidamente,
libre de mí, Curiosamente libre.
¡Irme, Dios mío, irme!
terça-feira, 8 de dezembro de 2009
VUELVO
con mi peor y mi mejor historia
conozco este camino de memoria
pero igual me sorprendo
hay tanto siempre que no llega nunca
tanta osadía tanta paz dispersa
tanta luz que era sombra y viceversa
y tanta vida trunca
vuelvo y pido perdón por la tardanza
se debe a que hice muchos borradores
me quedan dos o tres viejos rencores
y sólo una confianza
reparto mi experiencia a domicilio
y cada abrazo es una recompensa
pero me queda / y no siento vergüenza /
nostalgia del exilio
en qué momento consiguió la gente
abrir de nuevo lo que no se olvida
la madriguera linda que es la vida
culpable o inocente
vuelvo y se distribuyen mi jornada
las manos que recobro y las que dejo
vuelvo a tener un rostro en el espejo
y encuentro mi mirada
propios y ajenos vienen en mi ayuda
preguntan las preguntas que uno sueña
cruzo silbando por el santo y seña
y el puente de la duda
me fui menos mortal de lo que vengo
ustedes estuvieron / yo no estuve
por eso en este cielo hay una nube
y es todo lo que tengo
tira y afloja entre lo que se añora
y el fuego propio y la ceniza ajena
y el entusiasmo pobre y la condena
que no nos sirve ahora
vuelvo de buen talante y buena gana
se fueron las arrugas de mi ceño
por fin puedo creer en lo que sueño
estoy en mi ventana
nosotros mantuvimos nuestras voces
ustedes van curando sus heridas
empiezo a comprender las bienvenidas
mejor que los adioses
vuelvo con la esperanza abrumadora
y los fantasmas que llevé conmigo
y el arrabal de todos y el amigo
que estaba y no está ahora
todos estamos rotos pero enteros
diezmados por perdones y resabios
un poco más gastados y más sabios
más viejos y sinceros
vuelvo sin duelo y ha llovido tanto
en mi ausencia en mis calles en mi mundo
que me pierdo en los nombres y confundo
la lluvia con el llanto
vuelvo / quiero creer que estoy volviendo
con mi peor y mi mejor historia
conozco este camino de memoria
pero igual me sorprendo.
Mario Benedetti
sábado, 5 de dezembro de 2009
ser cor nos cinzas dos edifícios,
ser luz na escuridão das manhãs.
Cada todo de ti
ser cristal nos olhos das fadas,
ser azul no fundo do mar.
Cada suspiro de nós
ser muito na pobreza da esquina,
ser ninguém na roda da vida.
Enquanto isso os relógios se vão,
e vêem aqueles que sabem o que é
O amor é quando a gente mora um no outro
e a minha boca para não dizer...
E dos meus olhos fechados desceram lágrimas que não enxuguei,
e da minha boca fechada nasceram sussurros
e palavras mudas que te dediquei...
O amor é quando a gente mora um no outro."
Clarice
Viver tem que ser perturbador
as coisas que não provocam ódio nem paixão,
as coisas definidas como mais ou menos,
um filme mais ou menos ,
um livro mais ou menos.
Tudo perda de tempo.
Viver tem que ser perturbador,
é preciso que nossos anjos e demônios sejam despertados,
e com eles sua raiva,
seu orgulho,
seu asco,
sua adoraçao ou seu desprezo.
O que não faz você mover um músculo,
o que não faz você estremecer,
suar,
desatinar,
não merece fazer parte da sua biografia.
Exagerada
Meu Deus, mas como você me dói de vez em quando
Caio Fernando Abreu
Vive o instante que passa
Vive-o intensamente até à última gota de sangue.
É um instante banal, nada há nele que o distinga de mil outros instantes vividos.
E no entanto ele é o único por ser irrepetível e isso o distingue de qualquer outro.
Porque nunca mais ele será o mesmo nem tu que o estás vivendo.
Absorve-o todo em ti, impregna-te dele e que ele não seja pois em vão no dar-se-te todo a ti.
Olha o sol difícil entre as nuvens, respira à profundidade de ti, ouve o vento. Escuta as vozes longínquas de crianças, o ruído de um motor que passa na estrada, o silêncio que isso envolve e que fica.
E pensa-te a ti que disso te apercebes, sê vivo aí, pensa-te vivo aí, sente-te aí.
E que nada se perca infinitesimalmente no mundo que vives e na pessoa que és.
Assim o dom estúpido e miraculoso da vida não será a estupidez maior de o não teres cumprido integralmente, de o teres desperdiçado numa vida que terá fim."
Vergílio Ferreira, in 'Conta-Corrente IV'
sexta-feira, 4 de dezembro de 2009
Sou alguém que espera ser aberto por uma palavra...
Não sei se respondo ou se pergunto.
Sou uma voz que nasceu na penumbra do vazio.
Estou um pouco ébria e estou crescendo numa pedra.
Não tenho a sabedoria do mel ou a do vinho.
De súbito, ergo-me como uma torre de sombra fulgurante.
A minha tristeza é a da sede e a da chama.
Com esta pequena centelha
quero incendiar o silêncio.
O que eu amo não sei.
Amo.
Amo em total abandono.
Sinto a minha boca dentro das árvores
e de uma oculta nascente.
Indecisa e ardente,
algo ainda não é flor em mim.
Não estou perdida,
estou entre o vento e o olvido.
Quero conhecer a minha nudez
e ser o azul da presença.
Não sou a destruição cega
nem a esperança impossível.
Sou alguém que espera
ser aberto por uma palavra.
(António Ramos Rosa)
Persuasão
nem gostos mais semelhantes,
ou sentimentos mais em sintonia".
A um Ausente
tenho razão de te acusar.
Houve um pacto implícito que rompeste
e sem te despedires foste embora.
Detonaste o pacto.
Detonaste a vida geral,
a comum aquiescência de viver
e explorar os rumos de obscuridade
sem prazo sem consulta sem provocação
até o limite das folhas caídas na hora de cair.
Antecipaste a hora.
Teu ponteiro enloqueceu,
enloquecendo nossas horas.
Que poderias ter feito de mais grave
do que o ato sem continuação,
o ato em si,
o ato que não ousamos nem sabemos ousar
porque depois dele não há nada?
Tenho razão para sentir saudade de ti,
de nossa convivência em falas camaradas,
simples apertar de mãos, nem isso,
voz modulando sílabas conhecidas e banais
que eram sempre certeza e segurança.
Sim, tenho saudades.
Sim, acuso-te porque fizeste o não previsto nas leis da amizade e da natureza nem nos deixaste sequer o direito de indagar porque o fizeste,
porque te foste.
Carlos Drummond de Andrade
Presente
e queria em cada verso o som da tua voz:
depois, queria que o poema tivesse a forma
do teu corpo, e que ao contar cada sílaba
os meus dedos encontrassem os teus,
fazendo a soma que acaba no amor.
Queria juntar as palavras como os corpos
se juntam, e obedecer à única sintaxe
que dá um sentido à vida; depois,
repetiria todas as palavras que juntei
até perderem o sentido, nesse confuso
murmúrio em que termina o amor.
E queria que a cor dos teus olhos e o som
da tua voz saíssem dos meus versos,
dando-me a forma do teu corpo; depois,
dir-te-ia que já não é preciso contar
as sílabas, nem repetir as palavras do poema,
para saber o significado do amor.
Então dar-te-ia o poema de onde saíste,
como a caixa vazia da memória, e levar-te-ia
pela mão, contando os passos do amor.
NJ
quarta-feira, 2 de dezembro de 2009
Pedro lembrando Ines
Tu, que me esvaziaste de coisas incertas,
e trouxeste amanhã da minha noite.
É verdade que te podia dizer:
«Como é mais fácil deixar que as coisas não mudem,
sermos o que sempre fomos,
mudarmos apenas dentro de nós próprios?»
Mas ensinaste-me a sermos dois;
e a ser contigo aquilo que sou,
até sermos um apenas no amor que nos une,
contra a solidão que nos divide.
Mas é isto o amor:
ver-te mesmo quando te não vejo,
ouvir a tua voz que abre as fontes de todos os rios,
mesmo esse que mal corria quando por ele passámos,
subindo a margem em que descobri o sentido de irmos contra o tempo,
para ganhar o tempo que o tempo nos rouba.
Como gosto, meu amor,
de chegar antes de ti para te ver chegar:
com a surpresa dos teus cabelos,
e o teu rosto de água fresca que eu bebo,
com esta sede que não passa.
Tu: a primavera luminosa da minha expectativa,
a mais certa certeza de que gosto de ti,
como gostas de mim,
até ao fim do mundo que me deste.
Nuno Judice
O amor
neste pedaço de mim e de ti,
ou naquilo que, de ti, em mim ficou.
na tua voz, nos teus olhos,
e talvez ande por entre os teus cabelos,
ou nesses fios abstractos que desfolho,
com os dedos da memória, quando os evoco.
será, no entanto, essa impressão divina que faz a sua permanência?
tempo nos habitua, sem se dar por isso, com
a pressão sutil da vida?
nós, sim.
mete-se no próprio instante em que estamos juntos,
foge por entre as palavras que trocamos,
eu e tu, para que um e outro as levemos
conosco, e com elas o que somos,
a ânsia efémera dos corpos, o
mais fundo desejo das almas.
quando o amor nos junta.
abandona o mais remoto dos infinitos,
e senta-se aos pés da cama,
como um cão, ouvindo a música da noite.
por isso adiamos a madrugada,
para que não nos abandone,
como se um deus não pudesse existir para lá do amor,
ou o amor não se pudesse fazer sem um deus.
Nuno Júdice
In: CARTOGRAFIA DAS EMOÇÕES
Nuno Júdice
O que é mais simples, como o amor, ou o mais evidente dos sorrisos, não se encontra no curso previsível da vida.
Porém, se nos distraímos do calendário, ou se o acaso dos passos nos empurrou para fora do caminho habitual, então as coisas são outras.
Nada do que se espera transforma o que somos se não for isso: um desvio no olhar; ou a mão que se demora no teu ombro, forçando uma aproximação dos lábios.
segunda-feira, 30 de novembro de 2009
POEMA - Nuno Júdice
Nuno Júdice in Cartografia de Emoções
quinta-feira, 26 de novembro de 2009
DEFENSA DE LA ALEGRIA
defenderla del escándalo y la rutina
de la miseria y los miserables
de las ausencias transitorias y las definitivas
defender la alegría como un principio
defenderla del pasmo y las pesadillas
de los neutrales y de los neutrones
de las dulces infamias y los graves diagnósticos
defender la alegría como una bandera
defenderla del rayo y la melancolía
de los ingenuos y de los canallas
de la retórica y los paros cardiacos
de las endemias y las academias
defender la alegría como un destino
defenderla del fuego y de los bomberos
de los suicidas y los homicidas
de las vacaciones y del agobio
de la obligación de estar alegres
defender la alegría como una certeza
defenderla del óxido y de la roña
de la famosa pátina del tiempo
del relente y del oportunismo
de los proxenetas de la risa
defender la alegría como un derecho
defenderla de dios y del invierno
de las mayúsculas y de la muerte
de los apellidos y las lástimas
del azar y también
de la alegría.
(Mario Benedetti)
PRAZER E DOR
(Clarice Lispector)
quarta-feira, 25 de novembro de 2009
Pra você guardei o amor - Nando Reis

Que nunca soube dar
O amor que tive e vi sem me deixar
Sentir sem conseguir provar
Sem entregar
E repartir
Pra você guardei o amor
Que sempre quis mostrar
O amor que vive em mim vem visitar
Sorrir, vem colorir solar
Vem esquentar
E permitir
Quem acolher o que ele tem e traz
Quem entender o que ele diz
No giz do gesto o jeito pronto
Do piscar dos cílios
Que o convite do silêncio
Exibe em cada olhar
Guardei
Sem ter porque
Nem por razão
Ou coisa outra qualquer
Além de não saber como fazer
Pra ter um jeito meu de me mostrar
Achei
Vendo em você
E explicação
Nenhuma isso requer
Se o coração bater forte e arder
No fogo o gelo vai queimar
Pra você guardei o amor
Que aprendi vem dos meus pais
O amor que tive e recebi
E hoje posso dar livre e feliz
Céu cheiro e ar na cor que arco-íris
Risca ao levitar
Vou nascer de novo
Lápis, edifício, tevere, ponte
Desenhar no seu quadril
Meus lábios beijam signos feito sinos
Trilho a infância, terço o berço
Do seu lar
terça-feira, 24 de novembro de 2009
mario benedetti - alegria de la tristeza
suelen caer las moscas de sartre
pero nunca las avispas de aristófanes
uno puede entristecerse
por muchas razones y sin razones
y la mayoría de las veces sin motivo aparente
sólo porque el corazón se achica un poco
no por cobardía sino por piedad
la tristeza puede hacerse presente
con palabras claves o silencios porfiados
de todas maneras va a llegar
y hay que aprontarse a recibirla
la tristeza sobreviene a veces
ante el hambre millonaria del mundo
o frente al pozo de alma de los desalmados
el dolor por el dolor aje
no es una constancia de estar vivo
después de todo
pese a todo
hay una alegría extraña
desbloqueada
en saber que aún podemos estar tristes
Meu mundo
"Meu mundo se resume a palavras que me perfuram,a canções que me comovem, a paixões que já nem lembro, a perguntas sem respostas, a respostas que não me servem, à constante perseguição do que ainda não sei. Meu mundo se resume ao encontro do que é terra e fogo dentro de mim, onde não me enxergo, mas me sinto."
Martha Medeiros
terça-feira, 17 de novembro de 2009
Florbela Espanca
Que seja a minha noite uma alvorada,
Que me saiba perder...
pra me encontrar...
segunda-feira, 16 de novembro de 2009
domingo, 15 de novembro de 2009
Waitress - Garçonete

com chocolate como você.
Essa torta poderia resolver
todos os problemas do mundo.
...
Uma coisa maravilhosa.
Como cada sabor se abre,
um por um,
como um capítulo de um livro.
Primeiro se percebe o sabor
de uma especiaria exótica,
apenas uma sugestão.
E então você é inundado com o
chocolate, escuro e amargo,
como um antigo caso de amor.
E finalmente, o morango.
Do jeito que os morangos sempre devem ser, mas nunca são.
....
Cal...
- Sim?
-Você é feliz?
Você diria que é um homem feliz?
-Bem, se está me fazendo uma pergunta séria, vou te dizer.
-Sou feliz o suficiente.
-Não espero muito, não dou muito, e não recebo muito.
-Eu geralmente aproveito tudo que aparece.
-Essa é minha verdade, resumida,
pro seu julgamento feminino.
-Sou bastante feliz.
....
- Você parece horrível.
- Obrigada.
-Digo, parece triste.
Parece muito triste.
-Levou muito tempo pra notar isso,mas... não sou uma
mulher feliz, Dr. Pomatter.
E não quero que me salve.
- Não quero salvar você.
......
Querido bebê.
Espero que algum dia alguém
queira te abraçar bem forte
por 20 minutos,
sem fazer mais nada.
Sem te soltar.
Sem olhar no seu rosto.
Sem tentar te beijar.
Que somente te tome
em seus braços
e te abrace forte sem
um pingo de egoísmo.
...............
-Sei o que está pensando.
Não, não sei. É mentira.
O que está pensando?
-Estou pensando...
Que nunca poderei te agradecer o
suficiente por tudo que fez por mim.
Acho que sua esposa está por aí e que não devia me beijar.
O jeito que ela olha pra você, tanta confiança.
- Então é isso?
Acabou?
Não posso dar minha opinião?
-Podemos ter um grande drama aqui,
que se estenderá por alguns anos,
fazendo todos nós infelizes.
Ou podemos terminar com isso agora mesmo.
Sem feridos, apenas dizendo adeus.
Estou dizendo adeus.
sábado, 14 de novembro de 2009
LOS HOMBRES QUE NO AMABAN A LAS MUJERES

Dio la vuelta y se fue a la casa, a su recién limpiado apartamento.
sexta-feira, 13 de novembro de 2009
Sorte de hoje
o fracasso não é fatal,
o que conta é a coragem de seguir em frente.
quinta-feira, 12 de novembro de 2009
Continuar
não vou tomar nenhuma medida drástica,
a não ser continuar,
tem coisa mais auto destrutiva do que insistir sem fé nenhuma?
Ah, passa devagar a tua mão na minha cabeça,
toca meu coração com teus dedos frios,
eu tive tanto amor um dia."
Clarice
ELE NÃO ESTÁ TÃO A FIM DE VOCÊ

um cara lhe soca, ele gosta de você.
Nunca tente se auto proibir.
E um dia, encontrará um cara maravilhoso e terá um final feliz.
nos implora para que esperemos
a reviravolta do 3º ato.
A inesperada declaração de amor.
A exceção à regra.
Mas, às vezes, nos focamos tanto em achar nosso final feliz,
que não aprendemos a ler os sinais.
Os que ficam e os que vão embora.
Talvez, esse final feliz não inclua um homem incrível.
Por conta própria.
Catando os pedaços e recomeçando.
Se guardando para algo melhor no futuro.
Talvez o final feliz seja apenas seguir em frente.
Talvez, o final feliz seja fazer isto:
passando pelas ligações não retornadas e corações partidos,
por todos os erros e sinais não vistos,
pela dor e vergonha.
Nunca perca a esperança."
segunda-feira, 9 de novembro de 2009
Mais que isso
E deixar que ele vá e nos leve pra todo lugar
Como aqui,
Será melhor deixar essa nuvem passar
E você vai saber de onde vim, aonde vou
E que eu estou aqui.
sexta-feira, 6 de novembro de 2009
I wish you love
This is where our story ends
Never lovers, ever friends
Goodbye, let our hearts call it a day
But before you walk away
I sincerely want to say
I wish you bluebirds in the spring
To give your heart a song to sing
And then a kiss, but more than this
I wish you love
And in July a lemonade
To cool you in some leafy glade
I wish you health
But more than wealth
I wish you love
My broken heart and I agree
That you and I could never be
So with my best
My very best
I set you free
I wish you shelter from the storm
A cozy fire to keep you warm
But most of all when snowflakes fall
I wish you love
Nat King Cole
terça-feira, 3 de novembro de 2009
Renúncias
Sabedoria
Clarice Lispector
dor
Caio F. Abreu
segunda-feira, 2 de novembro de 2009
A sua
Que estou pensando em você
Agora e sempre mais
Eu só quero que você ouça
A canção que eu fiz pra dizer
Que eu te adoro cada vez mais
E que eu te quero sempre em paz
E como eu te quero tanto bem
Aonde for não quero dor
Eu tomo conta de você
Mas te quero livre também
Como o tempo vai e o vento vem
Eu só quero que você caiba
No meu colo
Porque eu te adoro cada vez mais
Eu só quero que você siga
Para onde quiser
Que eu não vou ficar muito atrás
Eu só quero que você saiba
Que estou pensando em você
Mas te quero livre também
Como o tempo vai e o vento vem
Marisa Monte
Manuel Bandeira
Volúpia ardente...
Tristeza esparsa...
remorso vão...
Dói-me nas veias.
Amargo e quente,
Cai, gota a gota, do coração.
E nestes versos de angústia rouca
Assim dos lábios a vida corre,
Deixando um acre sabor na boca.
- Eu faço versos como quem morre.
A Perfeição
é que tudo o que existe,
existe com uma precisão absoluta.
O que for do tamanho de uma cabeça de alfinete
não transborda nem uma fração de milímetro
além do tamanho de uma cabeça de alfinete.
Tudo o que existe é de uma grande exatidão.
Pena é que a maior parte do que existe
com essa exatidão
nos é tecnicamente invisível.
O bom é que a verdade chega a nós
como um sentido secreto das coisas.
Nós terminamos adivinhando, confusos,
a perfeição.
Clarice Lispector
domingo, 1 de novembro de 2009
MEDO
PRESENÇA
desenhe tuas linhas perfeitas,
teu perfil exato
e que, apenas levemente,
o vento das horas
ponha um frêmito em teus cabelos...
É preciso que a tua ausência
trescale sutilmente, no ar,
o trevo machucado,
as folhas de alecrim
desde há muito guardadas
não se sabe por quem
nalgum móvel antigo...
Mas é preciso, também,
que seja como abrir uma janela
e respirar-te,
azul e luminoso,
no ar.
É preciso a saudade para eu sentir
como sinto - em mim - a presença misteriosa da vida...
Mas quando surges
és tão outro e múltiplo e imprevisto
que nunca te pareces com o teu retrato...
E eu tenho de fechar meus olhos
para ver-te.
sábado, 31 de outubro de 2009
Hermann Hesse
Quantos não há, porém,que amam para se perderem.
Que seria do prazer dos sentidos,se por trás dele não estivesse a morte?
Que seria do amor sem o eterno e mortal antagonismo dos sexos?
nem tampouco exigir.
e ao invés de atrair,
passa a ser atraído.
EL CAMINO:
“Caminante, no hay camino,
se hace camino al andar.”
“Todo pasa y todo queda,
pero lo nuestro es pasar,
pasar haciendo caminos,
caminos sobre la mar.”
Antonio Machado
"Se cual es el final del camino,
lo supe antes de dar el primer paso.
Y no es el dolor ni la soledad de ese final
lo que me impulsa a seguir,
es la promesa de todo lo nuevo
que el camino tiene para dar.
Es el camino mismo.
Es el despertar de sentimientos olvidados
el reencuentro con partes de mi
que suponía perdidas.
Es volver a sentir intensamente,
es disfrutar una vez más del sabor
de lo desconocido.....
Pero se cual es el final del camino,
y también se que el camino no tiene vuelta atras.
En cada intento de engañarlo y regresar,
ha conseguido colocarme todavía un paso más allá.
Entonces me dejo ir.
Corro un trecho y la intensidad de las emociones
me arrebatan, me emborrachan.
Me siento nuevo. Gozo.
Pero el temor de alcanzar el final,
inesperadamente me sacude.
Y me detengo.
Voy entonces paso a paso,
disfrutando el viento.
Siento alas otra vez en la espalda.
Se que puedo volar, pero no.
Voy a parar.
Se que no quiero llegar hasta el final.
Se que no voy a soportar ese dolor y soledad.
Solo deseo que al detenerme, aún estés conmigo.
Y que abramos allí un espacio en el camino,
donde, como aguas contenidas,
nos podamos explayar sin tener que avanzar más.
Y tal vez con el tiempo, apoyados en el otro,
consigamos finalmente engañar al camino,
y regresar. " C.E.
PORQUE TE QUIERO
y de quererte a no quererte llego
y de esperarte cuando no te espero
pasa mi corazón del frío al fuego.
Te quiero sólo porque a ti te quiero,
te odio sin fin,
y odiándote te ruego,
y la medida de mi amor viajero
es no verte
y amarte como un ciego.
Tal vez consumirá la luz de enero,
su rayo cruel,
mi corazón entero,
robándome la llave del sosiego.
En esta historia sólo yo me muero
y moriré de amor porque te quiero,
porque te quiero,
amor,
a sangre y fuego.
Pablo Neruda
QUINTANA

Se as coisas são inatingíveis... ora!
Não é motivo para não querê-las...
Que tristes os caminhos, se não fora
A presença distante das estrelas.
.................
A gente sempre deve sair à rua como quem foge de casa,
Como se estivessem abertos diante de nós todos os caminhos do mundo.
Não importa que os compromissos, as obrigações, estejam ali...
Chegamos de muito longe, de alma aberta e o coração cantando!
No fim tu hás de ver
que as coisas mais leves são as únicas
que o vento não conseguiu levar:
um estribilho antigo
um carinho no momento preciso
o folhear de um livro de poemas
o cheiro que tinha um dia o próprio vento...
sexta-feira, 30 de outubro de 2009
Mario Quintana

Cujas palavras sumarentas escorram
Como a polpa de um fruto maduro em tua boca,
Um poema que te mate de amor
Antes mesmo que tu saibas o misterioso sentido:
Basta provares o seu gosto..."
................................
Mario Quintana
"Todos estes que aí estão, atravancando meu caminho, eles passarão, eu passarinho."
quinta-feira, 29 de outubro de 2009
PERDAS E DANOS

NICEST THING
You're the nicest thing I've seen
I wish that we could give it a go
See if we could be something
I wish I was your favorite girl
I wish you thought I was the reason you are in the world
I wish my smile was your favorite kind of smile
I wish the way that I dress was your favorite kind of style
I wish you couldn't figure me out
But you'd always wanna know what I was about
I wish you'd hold my hand when I was upset
I wish you'd never forget the look on my face when we first met
I wish you had a favorite beauty spot that you loved secretly'
Cause it was on a hidden bit that nobody else could see
Basically, I wish that you loved me
I wish that you needed me
I wish that you knew when I said two sugars, actually I meant three
I wish that without me your heart would break
I wish that without me you'd be spending the rest of your nights awake
I wish that without me you couldn't eat
I wish I was the last thing on your mind before you went to sleep
All I know is that you're the nicest thing I've ever seen
And I wish we could see if we could be something
quarta-feira, 28 de outubro de 2009
Dirty thoughts, dirty images...
ARCO IRIS
por supuesto
usted sonríe
y no importa lo linda
o lo feal
o vieja
o lo joven
lo mucho
o lo poco
que usted realmente sea
sonríe
cual si fuese una revelación
y su sonrisa
anula todas las anteriores
caducan al instantes
us rostros como máscaras
sus ojos duros
frágiles como espejos en óvalo
su boca de morder
su mentón de caprichos
us pómulos fragantes
sus párpados
su miedo
sonríe
y usted nace
asume el mundo
mira sin mirar
indefensa
desnuda
transparente
y a lo mejor
si la sonrisa viene
de muy
de muy adentro
usted puede llorar
sencillamente
sin desgarrarse
sin deseperarse
sin convocar la muert
eni sentirse vacía
llorar
sólo llorar
entonces su sonrisa
si todavia existe
se vuelve un arco iris.
Mario Benedetti
terça-feira, 27 de outubro de 2009
Throw Me A Rope
"Até cortar os próprios defeitos pode ser perigoso. Nunca se sabe qual é o defeito que sustenta nosso edifício inteiro."But everything here is telling me I should be fine,
So why is it so, it bothers below that im missing you every time?
Show me a clock, for counting my days, down,
Cos everythings easier when you're beside me,
Come back and find me,
'Cos I feel alone.
And whenever you go it's like holding my breath under water,
I have to admit that I kinda like it when I do,
Unafraid, of my days, without you,
Show me a clock, for counting my days, down,
'Cos everything easier when you're beside me,
Come back and find me,
Whenever I'm falling, you're always behind me,
Come back and find me,
Cos everything is easier when you're beside me,
Come back and find me,
'Cos I feel alone
Janta
Caberá ao nosso amor o eterno ou o não dá
Pode ser cruel a eternidade
Eu ando em frente por sentir vontade
Eu quis te convencer mas chega de insistir
Caberá ao nosso amor o que há de vir
Pode ser a eternidade má
Caminho em frente pra sentir saudade
Paper clips and crayons in my bed
Everybody thinks that i'm sad
I'll take a ride in melodies and bees and birds
Will hear my words
Will be both us and you and them together
Cause i can forget about myself,
trying to be everybody else
I feel allright that we can go away
And please my day
I let you stay with me if you surrender
Universe and you
I feel myself an english person today, and today this is the song...A fire burns
segunda-feira, 26 de outubro de 2009
Digo que No Puede Decirse el Amor

Digo que no puede decirse el amor.
El amor se come como un pan,
se muerde como un labio,
se bebe como un manantial.
El amor se llora como a un muerto,
se goza como un disfraz.
El amor duele como un callo,
aturde como un panal,
y es sabroso como la uva de cera
y como la vida es mortal.
El amor no se dice con nada,
ni con palabras ni con callar.
Trata de decirlo el aire
y lo está ensayando el mar.
Pero el amante lo tiene prendido,
untado en la sangre lunar,
y el amor es igual que una brasa
y una espiga de sal.
La mano de un manco lo puede tocar,
la lengua de un mudo,
los ojos de un ciego,
decir y mirar.
El amor no tiene remedio
y sólo quiere jugar.
domingo, 25 de outubro de 2009
Clarice

das bebidas mais amargas,
das drogas mais poderosas,
das idéias mais insanas,
dos pensamentos mais complexos,
dos sentimentos mais fortes.
Tenho um apetite voraz e os delírios mais loucos.
Você pode até me empurrar de um penhasco q eu vou dizer:
- E daí? eu adoro voar!
Mario Benedetti

Paso que pasa
rostro que pasabas
que mas quieres
te miro
despues me olvidare
despues y solo
solo y despues
seguro que me olvido
Paso que pasas
rostro que pasabas
que mas quieres
te quiero
te quiero solo dos
o tres minutos
para quererte mas
no tengo tiempo.
Paso que pasas
rostro que pasabas
que mas quieres
ay no
ay no me tintes
que si nos tentamos
no nos podremos olvidar
adiós.
..................................................
'Corazón Coraza'
Porque te tengo y no
porque te pienso
porque la noche está de ojos abiertos
porque la noche pasa y digo amor
porque has venido a recoger tu imagen
y eres mejor que todas tus imágenes
porque eres linda desde el pie hasta el alma
porque eres buena desde el alma a mí
porque te escondes dulce en el orgullo
pequeña y dulce
corazón coraza
porque eres mía
porque no eres mía
porque te miro y muero
y peor que muero si no te miro amor
si no te miro
porque tú siempre existes dondequiera
pero existes mejor donde te quiero
porque tu boca es sangre y tienes frío
tengo que amarte amor
tengo que amarte
aunque esta herida duela como dos
aunque te busque y no te encuentre
y aunque la noche pase
y yo te tenga y no.
Quero

atrasar o tempo,
voltar ao momento em que tudo começou,
(quando mesmo tudo começou?)
retroceder?
fugir,
quero fugir desse tudo que não cabe em mim,
que traz o medo,
esse medo imenso do velho novo,
de novo,
desta vez tão inesperado,
E eu, justo eu,
sempre tao destemida, desapegada,
inquieta, intempestiva.
Pêga,
Acorrentada,
como um bicho outrora livre,
que se surpreende enjaulado,
com medo da dor que pressente,
Quero voltar,
mas como?
se já busquei de todas as formas encontrar caminhos outros,
quem sabe atalhos,
quero, careço, preciso fugir,
e mais uma vez,
aqui estou,
surpreendida,
inevitavelmente,
irremediavelmente,
aqui.
Então...
vamos.
sábado, 24 de outubro de 2009
Jorge Bucay

En el silencio de mi reflexión
percibo todo mi mundo interno
como si fuera una semilla,
de alguna manera pequeña e insignificante
pero también pletórica de potencialidades. ...
Y veo en sus entrañas
el germen de un árbol magnífico,
el árbol de mi propia vida
en proceso de desarrollo.
En su pequeñez, cada semilla contiene
el espíritu del árbol que será después.
Cada semilla sabe cómo transformarse en árbol,
Cayendo en tierra fértil,
absorbiendo los jugos que la alimentan,
expandiendo las ramas y el follaje,
llenándose de flores y de frutos,
para poder dar lo que tienen que dar.
Cada semilla sabe cómo llegar a ser árbol.
Y tantas son las semillas como son los sueños secretos.
Dentro de nosotros, innumerables sueños
esperan el tiempo de germinar,
echar raíces y darse a luz,
morir como semillas...
para convertirse en árboles.
Árboles magníficos y orgullosos
que a su vez nos digan, en su solidez,
que oigamos nuestra voz interior,
que escuchemos la sabiduría de nuestros sueños semilla.
Ellos, los sueños, indican el camino
con símbolos y señales de toda clase,
en cada hecho, en cada momento,
entre las cosas y entre las personas,
en los dolores y en los placeres,
en los triunfos y en los fracasos.
Lo soñado nos enseña, dormidos o despiertos,
a vernos,
a escucharnos,
a darnos cuenta.
Nos muestra el rumbo en presentimientos huidizos
o en relámpagos de lucidez enceguecedora.
Y así crecemos,
nos desarrollamos,
evolucionamos...
Y un día, mientras transitamos
este eterno presente que llamamos vida,
las semillas de nuestros sueños
se transformarán en árboles,
y desplegarán sus ramas
que, como alas gigantescas,
cruzarán el cielo,
uniendo en un solo trazo nuestro pasado y nuestro futuro.
Nada hay que temer,
...una sabiduría interior las acompaña
... porque cada semilla sabe....
cómo llegar a ser árbol
............................
Quem poderá fazer
Aquele amor morrer
Se o amor é como um grão
Morre, nasce trigo
Vive, morre pão
Cecília Meireles

"Entre mim e mim, há vastidões bastantes
Para a navegação dos meus desejos afligidos.
Descem pela água minhas naves revestidas de espelhos.
Cada lâmina arrisca um olhar, e investiga o elemento que a atinge.
Mas, nesta aventura do sonho exposto à correnteza,
Só recolho o gosto infinito das respostas que não se encontram.
Virei-me sobre a minha própria existência, e contemplei-a:
Minha virtude era esta errância por mares contraditórios,
E este abandono para além da felicidade e da beleza.
Ó meu Deus, isto é a minha alma:
Qualquer coisa que flutua sobre este corpo efêmero e precário,
Como o vento largo do oceano sobre a areia passiva e inúmera…"
sexta-feira, 23 de outubro de 2009
Pablo Neruda

Me gustas cuando callas
porque estás como ausente,
y me oyes desde lejos,
y mi voz no te toca.
Parece que los ojos se te hubieran volado
y parece que un beso te cerrara la boca.
Como todas las cosas están llenas
de mi alma emerges de las cosas,
llena del alma mía.
Mariposa de sueño,
te pareces a mi alma,
y te pareces a la palabra melancolía.
Me gustas cuando callas
y estás como distante.
Y estás como quejándote,
mariposa en arrullo.
Y me oyes desde lejos,
y mi voz no te alcanza:
déjame que me calle con el silencio tuyo.
Déjame que te hable también con tu silencio claro como una lámpara,
simple como un anillo.
Eres como la noche,
callada y constelada.
Tu silencio es de estrella,
tan lejano y sencillo.
Me gustas cuando callas porque estás como ausente.
Distante y dolorosa como si hubieras muerto.
Una palabra entonces, una sonrisa bastan.
Y estoy alegre,
alegre de que no sea cierto.
quarta-feira, 21 de outubro de 2009
Neruda - Poema XII

para tu libertad bastan mis alas.
Desde mi boca llegará hasta el cielo lo que estaba dormido sobre tu alma.
Es en tí la ilusión de cada día.
Llegas como el rocío a las corolas.
Socavas el horizonte con tu ausencia.
Eternamente en fuga como la ola.
He dicho que cantabas en el viento como los pinos y como los mástiles.
Como ellos eres alta y taciturna.
Y entristeces de pronto, como un viaje.
Acogedora como un viejo camino.
Te pueblan ecos y voces nostálgicas.
yo desperté y a veces emigran y huyen pájaros que dormían en tu alma.
terça-feira, 20 de outubro de 2009
segunda-feira, 19 de outubro de 2009
+ de Jorge Bucay
domingo, 18 de outubro de 2009
Pablo Neruda

No te amo como si fueras rosa de sal,
topacio o flecha de claveles que propagan el fuego:
te amo como se aman ciertas cosas oscuras,
secretamente, entre la sombra y el alma.'
y lleva dentro de sí, escondida, la luz de aquellas flores,
y gracias a tu amor vive oscuro en mi cuerpo
el apretado aroma que ascendió de la tierra.
Te amo sin saber cómo, ni cuándo, ni de dónde,
te amo directamente sin problemas ni orgullo:
así te amo porque no sé amar de otra manera,
sino así de este modo en que no soy ni eres,
tan cerca que tu mano sobre mi pecho es mía,
tan cerca que se cierran tus ojos con mi sueño.
sábado, 17 de outubro de 2009
sexta-feira, 25 de setembro de 2009
Mário Quintana
quinta-feira, 24 de setembro de 2009
Te desejo
domingo, 20 de setembro de 2009
Florbela Espanca

quero demais, exijo demais;
há em mim uma sede de infinito,
uma angústia constante
que nem eu mesma compreendo,
pois estou longe de ser uma pessimista;
sou antes uma exaltada,
com uma alma intensa, violenta, atormentada,
uma alma que não se sente bem onde está,
que tem saudades...
sei lá de quê !"
sábado, 25 de julho de 2009
Ciranda
segunda-feira, 20 de julho de 2009
fragmentos

Saudade é um pouco como fome.
Só passa quando se come a presença do outro.
Mas às vezes a saudade é tão profunda que a presença é pouco:
quer-se absorver a outra pessoa toda.
Essa vontade de um ser o outro para uma unificação inteira é um dos sentimentos mais urgentes que se tem na vida.
E se me achar esquisita,respeite também.até eu fui obrigada a me respeitar.
Minha alma tem
o peso da luz.
Tem o peso da música.
Tem o peso da palavra nunca dita,
prestes quem sabe a ser dita.
Tem o peso de uma lembrança.
Tem o peso de uma saudade.
Tem o peso de um olhar.
Pesa como pesa uma ausência.
E a lágrima que não se chorou.
Tem o imaterial peso da solidão no meio de outros.
Meu Deus, me dê a coragem de viver
trezentos e sessenta e cinco dias e noites,
todos vazios de Tua presença.
Me dê a coragem de considerar esse vazio como uma plenitude.
Faça com que eu seja a Tua amante humilde,
entrelaçada a Ti em êxtase.
Faça com que eu possa falar com este vazio tremendo
e receber como resposta o amor materno que nutre e embala.
Faça com que eu tenha a coragem de Te amar,
sem odiar as Tuas ofensas à minha alma e ao meu corpo.
Faça com que a solidão não me destrua.
Faça com que minha solidão me sirva de companhia.
Faça com que eu tenha a coragem de me enfrentar.
Faça com que eu saiba ficar com o nada
e mesmo assim me sentir como se estivesse plena de tudo.
Receba em teus braços meu pecado de pensar.
segunda-feira, 22 de junho de 2009
Meus fragmentos favoritos de Clarice

Não quero ter a terrível limitação de quem vive apenas do que é passível de fazer sentido. Eu não: quero uma verdade inventada.
segunda-feira, 16 de fevereiro de 2009
E. E. Cummings












Foto-A0094.jpg)