
É tão difícil falar e dizer coisas que não podem ser ditas.
É tão silencioso.
Como traduzir o silêncio do encontro real entre nós dois?
Dificílimo contar.
Olhei pra você fixamente por instantes.
Tais momentos são meu segredo.
Houve o que se chama de comunhão perfeita.
Eu chamo isto de estado agudo de felicidade.
Renda-se, como eu me rendi. Mergulhe no que você não conhece como eu mergulhei.
Não se preocupe em entender,
viver ultrapassa qualquer entendimento.
Não quero ter a terrível limitação de quem vive apenas do que é passível de fazer sentido. Eu não: quero uma verdade inventada.
Liberdade é pouco. O que eu desejo ainda não tem nome.
... uma das coisas que aprendi é que se deve viver apesar de.
Apesar de, se deve comer.
Apesar de, se deve amar.
Apesar de, se deve morrer.
Inclusive muitas vezes é o próprio apesar de que nos empurra para a frente.
Foi o apesar de que me deu uma angústia que insatisfeita foi a criadora de minha própria vida. Foi apesar de que parei na rua e fiquei olhando para você enquanto você esperava um táxi.
E desde logo desejando você,
esse teu corpo que nem sequer é bonito,
mas é o corpo que eu quero.
Mas quero inteiro, com a alma também.
Por isso, não faz mal que você não venha,
espararei quanto tempo for preciso.
Suponho que me entender não é uma questão de inteligência e sim de sentir,
de entrar em contato...
Ou toca, ou não toca.
Mas tenho medo do que é novo e tenho medo de viver o que não entendo
- quero sempre ter a garantia de pelo menos estar pensando que entendo,
não sei me entregar à desorientação.
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